amok

 

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domingo, janeiro 01, 2006

deite 

escondi as lágrimas e deixei de ver.
fez-se uma fenda, a interromper
a chuva miudinha que sentia,
nas vezes que nos cruzamos.

deixei cair o olhar cobarde,
que me atrapalha
e virei na primeira esquina,
como um fugitivo aflito.

não consigo escapar nunca
à vontade que trago
de te atravessar o corpo nu
na ponta da língua,

deitar-te a mão,
por baixo de mim,
sentindo o mundo em perigo
sem palavras entre nós,

e pedir-te com o queixo torto,
entre as tuas pernas duras
a mexer no meu pescoço,
- Acende esse cigarro sorridente.

terça-feira, fevereiro 01, 2005

tristeza 

há dias assim, amolecidos por uma certa angústia, por razão incerta. dias que passam, sem nada a acrescentar. são os dias pequenos, como os dias mais frios, em que nos encolhemos e somos esquecidos. são os melhores dias para ir ao cinema ver mentiras a adornar tempos perdidos. dias que nos espreitam.

quinta-feira, outubro 02, 2003

The Face Of A Woman 

Ali Ahmad Said, aliás Adonis, é um grande, enorme poeta. " Songs of Mihyar The Damamscene"...e, entre vários poemas sublimes, tem lá este:

The Face Of A Woman

I dwell in the face of a woman
who dwells in a wave
flung by the tide
to a shore that has lost it s harbor
in its shells.
I live in the face of a woman
who murders me,
who desires to be
a dead beacon
in my blood sailing
to the very end of madness.

quarta-feira, outubro 01, 2003

Neura Loira Electro 

...ora lá mais uma:
ANTI!

electrocantes.
ela vestiu aquela calça curta nas canelas e rota no rabo às riscas. rosa-electro-choque. o pijama por baixo e ela tambem. bem vestida pra logo à noite e petulante. saiu prá rua, embaraçada com tanta fivela, quase perdia o eléctrico. passou despercebida sem bilhete. fez-se à estação do rossio pra cravar uns electro-trocos. entre uns e outros, lá ia batendo o coro-electro. o eyeliner, a boca-morango e um arderoque like a virgin violada. não deixava ninguem entrar na carruagem sem pingar o neuro. perto das novelectrohoras já tilintavam dozeuros. o funcionário público cai sempre. não pode ver uma gaja despentelhada ao pé da linha do comboio. mil diabretes. vamos ao bairro. já jantava com um maço de cigarros no bolso. mais uma volta ou duas pelo funil de bares e estava garantida pró resto da noite. duran duran electricista. peaches dos marretas. clashomania. entornó gin electro tónico. que se foda a electricidade, já me cortaram a luz. curte mesmo é uma anfetaminazeca e aquela camisola cheia de maus numeros sem soutien. os croquetes da tasca começaram-lhe a cair mal. cairam mesmo, que nem tordos! desmaiados no lago de gold strike que lhe inundava o bucho. electro-vai-lá-vai, que luzes são estas? quem é que deixou o fogão aceso à boca do estômago? vomito-me electro, vá-de-retro. amanhã morro já aqui. ainda dizem que fumar mata! hão-de experimentar as electro passadeiras do campo grande.

sexta-feira, setembro 26, 2003

Tirei o pau ao gato  

e lembrei-me de uma cãotiga pa bomecês. a próxima é dedicada a toda a malta-cá-do-bairro. obrigado pessoal, chama-se "Slowburn":
"this ain't painless and i certainly ain't stainless
i ain't been stained by any cult or religion
or philosophy or anything like that
i ain't been stained by the things that most people seem to get stained by
you see, i'm not interested in information about anything
i don't even know what you know because you know so much
i walk amongst you but i'm not one of you
only at my weakest do i try to understand
you're anonymous and when i say anonymous i mean myself as well
no one's looking at your face and even if they do
they'll see that your eyes have been replaced with fish eyes
so that you can see right round the sides of your heads
for your own protection
so that you can wink at your assassin
this ain't painless and i certainly ain't stainless
but i haven't been stained by any sense of shame
my zen is a dark place
beyond submission is everything i want
see it doens't matter if they love us or hate us,
just as long as they make us come
my whole life is washed away everytime i blink
everytime i blink i have to start all over again
that's why i insist that the insects drink the blood from my blood shot eyes
leave me dry leave me sore life ain't painless but i wanna see more
i wanna push my face straight through my skull
see what i was never meant to see
i wanna see my body fall in front of a train
i want a beautiful girl to catch my brain
take it home, preserve it in a fish bowl and feed it fish food
but you, you're unidentified and when i say you i mean myself as well
you're unidentified and when they eventually identify you, then you'll be unauthorised,
they'll ban you
they'll pretend they never knew
but me, i'm invisible energy and when i die no-one will remember me
not even me"

2nd Gen
» amok, 2003-09-26 (12:18)

quinta-feira, setembro 25, 2003

e para o meu querido Amok

dá-lhes!Vinga-te! Põe este mimo na secretária do gajo!
Então, de José de Almada-Negreiros:

Eu quero-te vivo, muito vivo, a sofrer!
Não te despes do alfinete!
Eu abro a janela para não cheirar mal!
Galopa a tua bestialidade
na memória que eu faço dos teus coices,
cavalga o teu insecticismo na tua sela de D.Duarte!
Arreia-te de Bom-Senso um segundo, peço-te de joelhos

Encabresta-te de Humanidade
e eu passo-te uma zoologia para as mãos
pra te inscreveres na divisão dos Mamíferos.
Mas anda primeiro ao Jardim Zoológico!
Vem ver os chimpanzés!
Acorpanzila-te neles se te ousas!
Sagra-te de cu-azul a ver se eles te querem!
Lá porque aprendeste a andar de mãos para o ar
não quer dizer que sejas mais chimpazé que eles!
» titas, 2003-09-25 (01:59)

quarta-feira, setembro 24, 2003

abcEdário Do Surrealismo Público  

"Cada coisa está no seu lugar, e já ninguem pode falar: cada sentido paralisava-se e quem fosse cego era mais digno que nós.
Levaram-nos a visitar fábricas de sonhos baratos e os armazéns repletos de dramas obscuros. Era um cinema magnífico em que os papéis eram desempenhados por antigos amigos. Perdíamo-los de vista e íamos reencontrá-los sempre no mesmo lugar. Davam-nos guloseimas apodrecidas e nós contávamos-lhes as nossas felicidades esboçadas. De olhos fixos em nós, eles falavam: podemos de facto lembrar-nos dessas palavras ignóbeis, dos seus cantos adormecidos?
Nós demos-lhes o nosso coração que era apenas uma canção pálida.

..."Suspensas das nossas bocas, as lindas expressões encontradas nas letras não têm visivelmente nada a recear dos diabolos dos nossos corações, que nos vêm de tão alto quão incontáveis são os seus golpes. É à luz do brilho do fio de platina que atravessamos este desfiladeiro azulado no fundo do qual jazem cadáveres de árvores desfeitas e de onde sobe o odor dos creosotos que se diz serem bons para a saúde."
André Breton et Philippe Soupault
Les Champs magnétiques (excerto)
» amok, 2003-09-24 (15:55)

Doutor, Doutor, Doutor,  

mas qual punk?! aquilo era " just a punch"... p'los vistos, bem dado. tenho pena mas não assisti ao final. certo ?: isto melhorou a olhos vistos. muito por culpa do stephen king e do roux. ai que belas postas! folhear o pastilhas, ? mais disto. e lamber tudo ? lingua-sem-papas da Beatriz, a reguila da franjinha. mordiscai-nos uns aos outros, como vos mordiscais a vós próprios.
? amok, 2003-09-24 (15:28)
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  Isto Pode Estar A Ficar "Punk" Mas Não É Razão Para Não Nos Portarmos Bem - Por Favor!
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